Resolvi voltar

10 ago

Não sei por quanto tempo nem com qual frequência, mas achei que precisava voltar com isso aqui.

Hoje li uma coisa que me fez divagar sobre a vida, o universo e todas as coisas.

Era a história de um cara que resolveu ir pra faculdade usando um kilt, só pra testar a fé o preconceito da humanidade.

Fui para a faculdade ontem (dia 07/08) de kilt por dois motivos. Primeiramente, para chamar atenção, acho que isso todo mundo já sabe, né. E segundamente, e obviamente mais importantemente (não estou mentindo): Eu quis sofrer preconceito. 
Depois de ler uma matéria sobre transgêneros (não confundir com transgênicos) e sobre o Laerte, cartunista brasileiro famoso que resolveu se vestir como mulher aos 65 anos de idade, fiquei muito chocado, mas muito curioso. Procurei mais sobre e encontrei uma entrevista com ele no programa Roda Viva, na TV Cultura. Naquela entrevista, uma repórter fez uma pergunta muito interessante e perturbadora, que foi mais ou menos assim: “Larte, você fazia parte de um grupo que praticamente é imune, né. Branco, magro, classe média, heterossexual, bem sucedido, pai de família. Como é perder completamente essa barreira?”. Eu fiquei muito surpreso em ver que, tirando a parte do “pai” e do “bem sucedido”, a descrição batia com a minha própria! Eu nunca havia parado para pensar o quão fácil e livre de preconceitos a minha vida havia sido até então, sem eu nunca ter feito NADA para “merecer” isso.
Desde então tenho lido muito sobre preconceito, homofobia, transgêneros, exclusão, minorias, cotas. Resolvi aproveitar o presente que minha namorada trouxe para saber como uma pessoa NADA comum se sente em espaços públicos. Estava usando um adereço simples, comum em outros países, símbolo até de status social em alguns lugares, mas extremamente estigmatizado no Brasil. Um kilt é uma saia, e não interessa de onde vem: Se você é homem, você não pode usar saia, senão você é viado. E viados são sujos. Foi mais ou menos isso que eu quase pude escutar dos olhares, cutucadas, risadas e comentários das pessoas nas ruas, no ônibus, no metrô, em casa.

Convido a todos que se acham inteligentes, maduros e sem preconceitos a andar de mãos dadas, ou até abraçado com alguém do mesmo sexo. Ou com uma roupa muito incomum. Ou até mesmo aparentando qualquer defeito físico. Quando você se vê rodiado de pessoas te olhando e fazendo questão de mostrar que estão insatisfeitas com sua aparência, você percebe como é mais fácil ser branco, magro, classe média, heterossexual, bem sucedido, pai de família.

A imagem que ele postou no Facebook teve mais de 4 mil compartilhamentos; todos eles com mensagens positivas mandando um YOU GO BOY cheios de atitude e orgulho pelo feito dos outros.

Como eu já comentei aqui outras vezes, acho demais quem não tem medo de se expor e lutar pra ser quem ela quiser nesse mundo cruel e coxinha de meudeus. Então, no meio desses compartilhamentos todos, fiquei pensando: dessa gente toda, que bate no peito por igualdade e liberdade, quantas delas REALMENTE não iriam se importar com o Erick e o seu kilt? De verdade.

É engraçado como na internet todo mundo vira defensor de tudo, mas na vida “real”,  a coisa é completamente diferente.

Eu NUNCA vou entender a dificuldade da pessoa simplesmente ficar calada se não gosta ou não concorda com alguma coisa. O que muda na vida dela falar na cara de um estranho que ela nunca viu, não sabe de onde veio nem pra onde vai e mandar: ‘olha, eu não acho que ser gay seja uma coisa certa, de jesus sabe”.

O que ela espera que a pessoa faça? AH É VERDADE MEU CARO CIDADÃO QUE EU NUNCA VI ME PERDOE ME ARRANJE UMA MOÇA VIRGEM DE FAMÍLIA VAMOS RESOLVER ESTA QUESTÃO AGORA MESMO.

O que muda na vida dela se eu gosto de X ou Y? Ela vai parar de respirar? Ela vai sofrer alguma perda, algum dano na vida? Não, então pronto.

Acredito que tem muita gente ali que acredita sim na ideologia do Erick e se emocionou com a história. Mas infelizmente tem muito mais gente que só compartilha essas coisas pros outros. Pros outros verem como elas são legais e ~cabeça aberta~.

Mas no fundo, acredito que essas histórias sempre acabam mudando alguém. Nem que seja UMA pessoa. Pelo menos prefiro acreditar assim.

Frases Perdidas de Posts Nunca Publicados

14 jul

Da série: “Frases Perdidas de Posts Nunca Publicados”:

Amizade é meio que como porta do metro lotado, se você sair, todo mundo se realoca e ninguém nem percebe que tinha alguém ali antes. Nem como tinha ESPAÇO pra mais alguém ali antes.

É difícil, mas é verdade. E life goes on e bora beber.

Amy, Porto Alegre te ama

25 jul

E nesse fim de semana a Amy Winehouse morreu. Não que eu tenha me surpreendido ou qualquer outra pessoa na face da terra não estivesse esperando por isso uma hora ou outra, mas aconteceu. Até porque, acredito que o obtuário da Amy estivesse pronto desde o ano passado em metade das redações mundo a fora.

O que eu nunca entendo nessa horas são aquelas pessoas que ficam realmente de luto pela morte de um artista e choram até não poder mais por uma pessoa que nunca conheceram. Das duas uma: ou essa gente é muito louca no sentido creepy da coisa, ou eles são realmente incríveis.

Mas uma dúvida, essas pessoas choram porque não irão mais ouvir a voz do seu artista preferido ou porque de fato gostavam da pessoa por trás dos discos e composições? Ou será que isso são coisas que não se separam e, a partir do momento que você gosta muito de um artista você também vira fã dele como pessoa?

Pra mim esse conceito não existe, e talvez por isso nunca chorei (e nem pretendo) pela morte de artista nenhum. Claro que eu vou ficar triste, sentir, mas chorar copiosamente e pedir folga no trabalho que nem andei lendo por aí nesse fim de semana? Olha, acho bem difícil.

O conceito de idolatria que essas pessoas chegam é uma coisa que eu queria profundamente entender. É tipo aquelas pessoas que vão nos programas de TV se descabelar por artista na platéia. Uma coisa é você se descabelar por ver os Beatles tocando, outra bem diferente é chorar de soluçar porque o BELO tá cantando no Raul Gil.

Pensando bem, nesse caso, até eu estaria chorando de soluçar, mas tudo bem.

Existe amor em Dailybooth

1 jul

Acordei desacreditada da vida, do amor e das pessoas.

É meio fácil descobrir quando eu não estou lá nas minhas melhores semanas, é só olhar meu lastfm. Juro, para quem me conhece é extremamente fácil descobrir meus humores da semana só olhando meu lastfm. Aliás, recomendo a visita e a tentativa de acerto dos humores.

A minha diferença quando fico triste, brava ou decepcionada com as coisas, é que eu não paro pra ouvir músicas de bicha melancólica e sofrida tipo Boys II Man, Death Cab, Kenny G ou Radiohead como toda pessoa normal deve fazer (devem, mas não as conheço). Não. Minha melhor terapia fica com o bom e velho metalzinho, uma bateria bem forte e um vocal bem demoníaco pra curar as dores. Se você nunca tentou e prefere curtir a fossa, eu aconselho seriamente você pegar um Black Tide, Metallica, ACDC, Hellacopters ou Black Stone Cherry. É uma coisa de lavar a alma, de verdade.




Chegando no trabalho, resolvi postar no Dailybooth, um site estilo um Twitter de fotos que faz o maior sucesso lá fora mas no Brasil quase ninguém conhece. Resolvi falar justamente disso:

Algumas pessoas ficam tristes e ouvem Death Cab, eu fico triste e ouço ACDC.

O melhor do Dailybooth é que todo mundo pode acompanhar as últimas postagens através de um livefeed geral do site, então todo mundo fica lá, olhando um bando de adolescente estranho com baixa auto estima pedindo votos de carinho e amor de creepies desocupados. E foi exatamente isso que eu recebi.

Acho incrível como todo mundo é tão hater em todos os sites e blogs por ai, mas no Dailybooth a coisa parace totalmente oposta. As pessoas entram pra falar BEM das outras. Claro que é ego e exibicionismo, mas até aí, a internet toda, o mundo todo, então não acho esse argumento muito válido.

Vai ver tenho uma visão meio romantizada do Dailybooth. Mas de qualquer forma, esse poder de ver em tempo real as pessoas te respondendo e dizendo coisas legais e bonitas sem nem mesmo te conhecer ou saber de fato quem você é ainda me deixam espantada de como a internet por ser uma coisa tão incrível e maravilhosa.

É um pouco como o Yahoo Respostas. Rola um grupo de apoio espontâneo ali. As pessoas procuram por apoio e palavras de conforto. E às vezes as melhores palavras vem de completos estranhos.

Recebi dicas de músicas felizes de um cara que só postava fotos do seu gato preto e um menino que ouvia resmungos de alces quando ficava triste. É, ALCES.

Não foi nada demais, mas achei lindo como existem pessoas dispostas a dar o mínimo de atenção para um completo estranho que reclamava de uma tristeza passageira num site aleatório.

E já que em amor em SP tá difícil, resolvi perguntar enquanto escrevia esse post, se as pessoas acreditavam em amor no Dailybooth.

Uma menina me disse que não acreditava em qualquer tipo de amor. Outra disse que eu tive muita sorte de encontrar as pessoas certas, porque existia muita gente má no Dailybooth também.

Não sei se só encontrei as pessoas certas ou ela que encontrou as erradas, mas é esse amor que faz do Dailybooth um site tão bonito e aconchegante pra mim.

Funk filosófico, um spin-off

9 jun

Olha, talvez vocês queiram desistir da minha amizade depois deste post. Ou talvez vocês achem aquela coisa toda de indizice e strokes eram só uma fase e agora eu estou assumindo minha verdadeira identidade. Mas antes de qualquer coisa, acho melhor eu explicar direito essa história.

Sempre ouvi muita gente comentar da tal da Valeska Popozuda e sempre tive um certo nojo daquela pele cor-de-terracota-vera-fischer que ela tinha. Sem contar aquela lente azul falsa e aquele alisamento que não enganam nem a minha vó. Mas ok, tirando os méritos estéticos, Valeska era do funk, do proibidão, do povo, e digamos que, como não era muito “minha vibe”, nunca parei muito pra ouvir e entender o grupo – atenção para o nome cheio de glamour –  GAIOLA DAS POPOZUDAS.

O máximo que cheguei dessa história toda foi aquela versão do Comédia MTV, o Gaiola das Cabeçudas que eu achei épico e passei meses cantando.

Claro que eu já tinha ouvido algumas músicas dela mas nunca liguei o nome a pessoa, muito menos parei pra me importar com isso. Até semana passada.

No dia do meu aniversário acabei indo em uma dessas baladas estranhas que só São Paulo pode te oferecer e ouvi um The Kills seguido de um clássico de nossa querida Valeska: My Pussy é o poder.

Um absurdo, uma depravação, chame como quiser, mas a primeira coisa que eu fiz, foi, logicamente, RIR DESCONTROLADAMENTE.

Daí, passado o susto inicial, passei a prestar atenção na letra. E sabe, quando me vi já estava analisando e dissecando toda a beleza e sabedoria de Valeskinha como meu grande amigo Chicó e seu maravilhoso Pagode Filosófico. 

Então, em uma singela homenagem e ânsia de dividir com o mundo toda a sabedoria da nossa incompreendida feminista Valeska, vamos falar de coisa boa, vamos falar de My pussy é o poder.

Antigamente as mulheres eram vistas sob dois aspectos: ou eram moças de família ou eram putas. Simples e prático. Ou você era “profissional do sexo” ou você casava, lavava, passava e cuidava das kiança. Não tinha meio termo, não tinha essa de “beijos tô indo pro trabalho”.  Foi um longo caminho [e bota caminho e marchas feministas nissoae] até as mulheres conquistarem direitos iguais, ou no mínimo mais justos. Direto ao voto, trabalho, movimentos sufragettes,  muita Margaret Sanger, bandas de punk feminino, muita Katheleen Hanna e Joan Jett pra dar um jeito nisso daí. O feminismo sempre esteve presente em todas as décadas, de um jeito ou se outro, e agora não é diferente.

Valeska, segundo o próprio Lastfm definiu, dadaísta, pós-feminista e compositora multifacetada, defende claramente o feminismo, a liberdade da mulher e também do sexo.

Como Simone de Beauvoir, pioneira no manisfesto feminista e que propunha um novo modelo de relação entre os homens e as mulheres, Valeska mostra essa relação nos tempos de hoje, numa época em que tudo gira em torno do capitalismo, da vaidade e da boa e velha lei da selva.

My pussy é o poder é claramente uma referência ao poder feminista, ao movimento Riot Girrl e ao Girl Power.

Dá carro, apartamento, jóias, roupas e mansão
Coloca silicone
E faz lipoaspiração
Implante no cabelo com rostinho de atriz
Aumenta a sua bunda pra você ficar feliz

Capitalismo e vaidade: duas coisas que andam lado a lado nesse século XXI de meudeus. Os estereótipos que precisam ser alcançados, as pessoas que você precisa ser igual para ser feliz. Hoje a felicidade se compra sim, manda buscar e de quebra te coloca um silicone maior que o permitido pelas leis da física.

Mulher burra fica pobre
Mas eu vou te dizer
Se for inteligente pode até enriquecer

Amigo, o mundo é dos espertos. Como já diria Buscapé em Cidade de Deus, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. E se a mulher lutou tanto por seus direitos, agora ela é inteligente o suficiente para enriquecer e se dar bem na vida por ela mesma.

A mensagem que Valeska quer nos passar é justamente apontar tudo que anda errado nesse mundo pós-feminista, a depreciação da mulher e o corpo como objeto até as últimas consequências (principalmente pelo dinheiro).

Mas acima de tudo, Valeska quer nos passar uma importante lição: seja quem você quiser ser, faça o que você quiser e não se sinta julgada por isso.

Porque você, mulher bonita e independente, só tem tudo isso agora porque alguém lá no passado lutou muito pra que isso fosse possível: a liberdade, a igualdade e o poder. Bom, a parte do poder você já sabe.

Margarina Hipster

21 maio

Não sei o que deu nessa semana mas encontrei vários vídeos de bandas grandes, felizes e que parecem viver num eterno comercial de margarina hipster.

Ok, todo mundo deve tá sabendo da Banda Mais Bonita da Cidade, mas não é sobre ela que eu quero falar.

Fuçando nos vídeos desse YouTube de meudeus nessa semana, encontrei uma versão LINDA de Bizzare Love Triangle no Ukelele.  Achei tão legal que resolvi dar uma olhada no canal da criatura. Encontrei um grupo de amigos empolgados em uma festa de ano novo cantando Wake Up do Arcade Fire com direito a colher de pau como instrumento e tudo.

No meio de um monte de coisa sobre a Banda Mais Bonita da Cidade, o pessoal começou a enviar várias referências desse tipo de vídeo e eu fiquei assistindo todos, claro.

Pra quem não conhece, a banda se inspirou nesse clipe aqui do Beirut:

Outro clipe brasileiro muito simpático é o Queria me Enjoar de Você. Vi faz um tempo, mas lembrei muito dele nessa semana.

E pode não ter muito haver com essa história toda, mas os caras do Vimeo são os melhores quando se trata de produzir vídeos com um grupo de pessoas felizes cantando em plano-sequência. É, tô falando dos dono do Vimeo mesmo. Olha:




No final, acho que essas coisas fazem tanto sucesso pelo simples fato de fazer você sorrir. É aquela história do “mais amor, por favor”, do “all you need is love” e de como ele consegue fazer a vida – and everything in between- parecer tão fácil.

O buraco negro da internet

13 maio

Existem três sites nessa vida que eu não posso nem SONHAR em visitar se eu tenho coisas importantes para resolver: Tumblr, BuzzFeed e 9Gag.

Acho que todo mundo que visita aqui sabe o que é o Tumblr (até porque a maioria das buscas que eu vejo são de pessoas procurando por imagens pra postar no Tumblr).

Aliás, aproveito para abrir um parênteses pra esse pessoal: “fotos que se mexem para tumblr” estão em primeiro lugar nos termos daqui toda fucking semana. Seguinte gente, vou explicar umas coisinhas pra vcs, existem dois nomes pra isso: GIFS ANIMADOS e CINEMAGRAPH.

Por algum motivo meu blog nao posta .gif, vai saber

Acredito que cinemagraph seja o termo correto para o que você tá procurando. Elas são aquelas fotos que, bem, se mexem. Na verdade, as imagens se mexem apenas em alguns detalhes, tipo um carro passando ou um par de olhos piscando.

Agora, se GIFS ANIMADOS define melhor sua procura, aconselho você a visitar dois sites muito legais e fazer o seu próprio. São eles o Senor Gif e o Gif Soup. Adoro perder horas da minha vida só olhando os gifs criados nesses dois. Sou produtiva mesmo, beijos.

Mas vamos falar do BuzzFeed. Além dele receber atualizações o tempo todo (e todas serem muito legais), o que eu mais curto nele é que as tags dos post são catalogadas pelos próprios usuários. E como nada é uma coisa só hoje em dia, você pode encontrar alguma matéria tanto na parte de LOL como Win. Ah sim, e como tudo lá é legal, eu tenho que tomar cuidado toda vez que eu entro pra não virar aquelas chatas que flodam a timeline dos outros com um monte de links estranhos.

O tipo de coisa fofa que você encontra no BuzzFeed ♥ #LOL #WIN #CUTE

Já o 9Gag tem uma grande vantagem: não ter tantos posts e novidades quanto o BuzzFeed. Pelo menos assim consigo viver por alguns dias sem entrar lá e fica tudo bem. Em compensação ele tem uma coisa extremamente emocionante: os atalhos do teclado! Ok, parece meio bobo, mas só digitando S você consegue sharear o conteúdo, dar like com o L, comentar com o C e assim por diante.

Se você estiver BEM entediado e já não aguentar mais o Tumblr, BuzzFeed, gifs animados e o 9Gag (não sei como isso seria possível, mas tudo bem), aconselho você a procastinar também nesses aqui: Oh No, They Didn’t, Etsy, Laughing Squid, BrandFlakes for Breakfast e o Like Cool.

E boa sorte tentando voltar à vida aí galera.